22 de outubro de 2016

Há-mar

Foto de Elena Kucher
Há mar.
Há mar cuja beleza é iridescente
Quente ou fria
Não consegui ficar na areia.
A chuva cai como um pranteador
enchendo meus sapatos
Nada podia fazer para impedir
Da tragédia entre o temer e o destemer
Só restou-me um funeral
De quem não quer deixar-te partir
E em ondas jamais sentidas antes,
Afoguei-me, perdi-me
No mar da tua totalidade
Na imensidão dos teus olhos castanhos
Na selvagem maré do des-conhecido
Na nudez da tua alma
Na douçura da tua despedida
Que de repentino
ou de tão perdido
Encontrei-me.

Camylla Gonçalves Cantanheide

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