10 de outubro de 2016

Alguns Corpos são como Flores

Christian Schloe
Uns corpos são como flores,
Outros como punhais,
Outros como fitas de água;
Mas todos, cedo ou tarde,
Serão queimaduras que em
outro corpo se engrandecem,
Convertendo em virtude do fogo
uma pedra em um homem.

Mas o homem se agita em todas as direções,
Sonha com liberdades, compete com o vento,
Até que um dia a queimadura se apaga,
Voltando a ser pedra no caminho de ninguém.

Eu, que não sou pedra, mas caminho
Que cruzam ao passar os pés nus,
Morro de amor por todos eles;
Dou-lhes meu corpo para que o pisem,
Mesmo que lhes leve a uma ambição ou a uma nuvem,
Sem que nenhum compreenda
Que ambições ou nuvens
Não valem um amor que se entrega.

Luis Cernuda (1902-1963)
Tradução: Ronald Polito e Josep Domènech Ponsatí

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