2 de outubro de 2016

A Ana Flor

Kurt Schwitters
Ó tu, bem-amada dos meus vinte e sete sentidos, amo-te!
Tu teu tu a ti eu a ti tu a mim Nós?
Isso (diga-se de passagem) não é daqui.
Quem és tu, inumerável fêmea? Tu és – és tu? –
Há quem diga que deves ser – deixa-os dizer, os que não sabem
como o campanário está de pé.
Trazes um chapéu nos teus pés e andas com as
mãos, com as mãos é que tu andas.
Olá roupas vermelhas e tuas, justas em pregas brancas. Vermelha
te amo, Ana Flor, vermelha a ti amo – tu teu tu a ti eu a ti tu a mim –
Nós?
Isto (diga-se de passagem) pertence ao fogo frio.
Vermelha flor, vermelha Ana Flor, que diz a gente?
Tema de concurso:
1. Ana Flor tem um passarinho.
2. Ana Flor é vermelha.
3. De que cor é o passarinho?
Azul é a cor do teu cabelo louro.
Vermelho é o arrulho do teu pássaro verde.
Tu, simples rapariga com o vestido de todos os dias, tu querida verde
criatura, amo-te – tu teu tu a ti eu a ti tu a mim –
Nós?

Kurt Schwitters (1887-1948)
Tradução: Jorge de Sena

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