5 de setembro de 2016

Manipulação da História

Eugène Laermans - Emigrantes
“Não nos enganemos: a imagem que fazemos de outros povos, e de nós mesmos, está associada à História que nos ensinaram quando éramos crianças. Ela nos marca para o resto da vida. Sobre essa representação, que é para cada um de nós uma descoberta do mundo e do passado das sociedades, enxertam-se depois opiniões, ideias fugazes ou duradouras, como um amor...
A história universal tem sido a miragem da Europa, que a dimensionou na medida de sua própria mudança. Os outros povos dela só participavam, a título de passageiros, quando a Europa andou por eles; no Egito, por exemplo, antes de nascer, depois sob Roma, no tempo da Cruzada ou de Bonaparte, de Mehmet-Ali ou de Nasser. Verdade para o Egito, verdade também para a Índia, a Armênia e que sei eu: a história deles só era História quando se cruzava com a nossa.
Mas permanecem indeléveis as marcas das nossas primeiras curiosidades, das nossas primeiras emoções. São tais marcas que convém conhecer ou reencontrar, as nossas e as dos outros.”
Marc Ferro - A manipulação da História no Ensino
e nos meios de comunicação.
Editora: Ibrasa

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