30 de agosto de 2016

Violeta

Assaf Frank
Esquecida no prado, debruçada
Sobre si mesma, humilde e dolorosa
A violeta vivia e era ignorada
Da noite negra e da manhã radiosa.

Eis que na curva do caminho breve
Uma linda visão de mulher passa.
Vem, vai chegando, alegre, suave e leve
Uma pastora toda encanto e graça.

“Ai de mim!” – pensa a flor – “Ai se eu pudesse
Ser a mais bela flor da natureza
Para que a doce amada me colhesse
E no seio me trouxesse presa!

Ai se somente por um breve instante
Sobre o seu seio claro eu repousasse!
Se eu lhe beijasse a carne palpitante
E com o seu doce aroma a perfumasse!”

Mas ah! Veio a pastora indiferente
Nem atentou para a florzinha escrava!
Pisou a pobre... E a pobre alegremente
Ao ser calcada, trêmula, pensava:

“Ai que delícia, a de morrer agora,
A de morrer, cheia de amor infindo,
Pisada assim pela gentil pastora.
Pisada assim pelo seu pé tão lindo!”

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)
Tradução: Múcio Leão

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