31 de agosto de 2016

Rondó

Alois Hans Schramm
Selva de corpos, xadrez de ruas,
Casas, auroras, mulheres nuas,
Mais tudo que sofras ou fruas,
Ao fim, o que
Dizem? Por quê?

Ou para quê? Para que o empório
Da vida, o espólio contraditório,
Pernas, velórios, taças, casório,
Para quê, se
Só há aí por quê?

E ao fim, enfim, no assim do crepúsculo,
O estupefato tempo minúsculo
Que resta ao rubro e cansado músculo
De bater, e
Soar: por quê?

Tudo, que é tanto, nele, o segundo
Final, é nada. Só, bem no fundo
De si, sem lastro, é que explode o mundo,
E, ainda, então, lê
Ígneo, por quê?

Alexei Bueno

Nenhum comentário: