26 de agosto de 2016

Já é tudo pedra

Maurice Utrillo
Já então é tudo pedra
os dias, os desenganos.
Rios secaram neste rosto, casca
de barro, areia causticante.
E onde outrora o mar
- os olhos - búzios esburacados.

E tudo é duro e seco e oco,
o sexo enlouquecido
o osso agudo
coberto de pó e de silêncios.

Havia uma ferida, a primavera
que já não arde nem desfibra - seca
a flor amarela escura
anêmica impura
- rato no deserto

caveira de pássaro
exposta na planura.

- Max Martins (1926-2009)

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