2 de agosto de 2016

Antígona

Charles François Jalabert - Édipo e Antígona
"Disse-me também o oráculo que
morrerei aqui, quando tremer a
terra, quando o trovão rolar,
quando o espaço brilhar..."

(Sófocles em Édipo)
A terra treme. Rola o trovão. Brilha o espaço.
Chega Édipo a Colona, em andrajos, imundo,
Sombra ansiosa a fugir do próprio horror profundo,
Ruína humana a cair de miséria e cansaço.

Mas, quando o ancião vacila, órfão da luz do mundo,
- Antígona lhe estende o coração e o braço,
E, filha e irmã, recolhe ao maternal regaço
O rei sem trono, o pai sem honra, moribundo.

É o ninho (a terra treme...) amparando o carvalho,
A flor sustendo o tronco! Édipo (o espaço brilha...)
Sorri, como um combusto areal bebendo o orvalho.

É o fim (rola o trovão...) da miseranda sorte:
O cego vê, fitando o céu do olhar da filha,
Na cegueira o esplendor, e a redenção na morte.

Olavo Bilac (1865-1918)

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