20 de agosto de 2016

Alvorada

José Rosário
A alvorada lembra um linho sem mancha,
aparando a orvalhada.
Há musselinas, contas claras de miçanga
entre as folhas frescas do pomar.
Na meia-luz trêmula, qualquer cousa espera.
O jardim ajoelhou, num misticismo doce.

Incensórios de corolas, folhas que fossem
lábios de seiva, murmurando em prece.
No linho puro, sob o altar da alvorada,
é a missa eterna.
Passarinhos, campainhas vivas...

Toda a alvorada religiosa
adora a luz na lenta elevação do sol.

- Augusto Meyer (1922-1955)

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