14 de julho de 2016

Soneto XXV

Paul Sérusier
Pisei o pó de todas as estradas,
— Olhos rasos de sonho e imensidade, —
Em busca dessa esplêndida Verdade,
Que descansa em paragens ignoradas.

Mas do fulgor das místicas jornadas,
Em que pus minha fé, minha ansiedade,
Restam apenas fumos de saudade
E um turbilhão de sombras espantadas!

E, agora, neste cerro, onde Jesus
Me vem falar do Céu e onde eu quisera
Dormir, enfim, o sono perenal;

Vejo, na espuma alvíssima da Luz,
Reaparecer, ao longe, uma quimera,
Que ressuscita ainda por meu mal!

Mário Beirão (1892-1965)

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