15 de junho de 2016

Versos do Exílio

Lord Frederick Leighton - Dante no Exílio
Alcançou-me a sombra; vão-se os meus dias terrenos,
O passado é passado e já não há mais futuro.
Adeus, criança! Adeus, jovem homem que fui!
Toca-me a mão infausta nesta hora nua!

Subsisti! O ruído dos homens me é estranho.
O fim acercou-me; estou muito só; eu espero, observo.
Nada mais tenho comigo senão o teu brilho escarlate,
Lâmpada! Rendido estou como um homem julgado.

Longos foram meu tédio e minha solicitude!
Longo o exílio! Longo o caminho até aqui!
Meu é o termo, vejo que eu o escolhi,
Resoluto na minha fraqueza e lassidão!

Agora findo está o meu colóquio; sozinho, cativo,
Como um rebanho vendido nas mãos de quem o leva,
Somente escuto, eu espero, prontamente, que venha
A hora derradeira com o seu definitivo instante.

Paul Claudel (1868 -1955)
Tradução: J. A. Rodrigues

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