15 de junho de 2016

O Segundo Advento

Grace Carol Bomer
Rodando e rodando no giro que se alarga
O falcão não pode ouvir o falcoeiro;
Tudo se desagrega; o centro não consegue se sustentar.
Pura anarquia está solta pelo mundo,
Está solta; a maré manchada de sangue; e por toda parte
A cerimônia da inocência é afogada;
Aos melhores falta qualquer convicção, enquanto que os piores
Estão cheios de ímpeto apaixonado.

Com certeza alguma revelação é iminente;
Com certeza o Segundo Advento é iminente.
O Segundo Advento! Tão logo emergem essas palavras.
Uma gigantesca imagem vinda do Spiritus Mundi
Turva a minha visão: em algum lugar nas areias do deserto
Uma forma com corpo de leão e cabeça de homem,
Olhar fixo e vazio e implacável como o Sol,
Move lentamente suas coxas; enquanto por todo o seu redor
Rodopiam as sombras dos violentos pássaros do deserto.
Cai de novo a escuridão, mas agora eu sei
Que vinte séculos de sono pétreo
Foram perturbados até o pesadelo por um berço embalador,
E que a rude fera, chegando afinal a sua hora,
Se arrasta rumo a Belém para nascer?

William Butler Yeats (1835-1939)
Tradução: Anita Moraes

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