11 de junho de 2016

A Mão Que Assinou o Papel…

Max Ernst
A mão que assinou o papel destruiu uma cidade;
cinco soberanos dedos tributaram a respiração,
de mortos duplicaram o mundo, a meio cortaram um país
estes cinco Reis provocaram a morte de um rei.

A poderosa mão conduz a um ombro descaído;
sofrem de câimbras as junturas dos dedos engessados.
Uma pena de pato pôs fim ao morticínio
que tinha posto fim às negociações.

A mão que assinou o tratado engendrou febre,
e aumentou a fome, e vieram gafanhotos:
grande é a mão que sobre todos impera
com o gatafunho de um nome.

Os cinco reis contam os mortos, mas não acalmam
a crosta das feridas nem a fronte afagam.
Há mãos que regem a piedade, outras o céu:
só não há que vertam lágrimas.

Dylan Thomas (1914-1953)
Tradução: David Mourão-Ferreira

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