8 de junho de 2016

A Abstração Humana

Pierre Narcisse Guérin
Não haveria Dó, com certeza,
Se não criássemos Pobreza,
Tampouco haveria Piedade,
Fosse comum a Felicidade.

O medo mútuo a paz conquista,
Até que cresça o amor egoísta:
A Crueldade tece ardis;
Zelosa, espalha um chamariz.

Ele se senta em medos santos
E rega o chão com seus prantos.
A Humildade então se enraíza
No mesmo solo em que ele pisa.

O Mistério se espalha em penumbra
Até que, a cabeça, lhe cubra:
E a mosca, bem como a Lagarta,
Do doce Mistério se farta.

E ela dá o fruto da Trapaça,
Rubro e doce em sua ameaça.
Seu ninho, o Corvo construiu
Sob seu ramo mais sombrio.

Os Deuses da terra e do mar
Tentaram a Árvore encontrar
Na Natureza, inutilmente,
Pois ela cresce em nossa Mente.

William Blake (1757-1827)
Tradução: Gilberto Sorbini e Weimar de Carvalho

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