17 de maio de 2016

E consentirias tu, tão soberbo...

Anita Burnaz
E consentirias tu, tão soberbo,
quando a noite assim te convida,
abrindo as janelas sobre as ruas
e soprando ao teu ouvido
a triste voz do esquecimento?

Morta é a tua ilusão.
No mundo em que te fizeres soberano,
sê como a árvore sem cuidado,
nua contra a chuva e o sonho,
só na sua estranha primavera!

Lúcio Cardoso (1912-1968)

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