14 de maio de 2016

A Tentação do Olhar

Lord Frederick Leighton
“Os olhos amam a beleza e a variedade das formas, o brilho e a luminosidade das cores. Oxalá tais atrativos não me acorrentem a alma. Que ela somente seja possuída por aquele Deus que criou essas coisas “tão boas”. Somente ele é o meu sumo bem, não elas. Todos os dias, enquanto estou acordado, elas me importunam sem dar-me descanso, como dão as vozes que cantam, e outros sons, quando silenciam. Apropria rainha das cores, a luz que inunda tudo o que vemos, me alcança de mil maneiras, onde quer que eu esteja, durante o dia, e acaricia-me até mesmo quando me ocupo de outra coisa e dela me abstraio. Insinua-se com tal vigor que, se de repente me falta, a procuro com ansiedade, e se permanece ausente por muito tempo, minha alma se entristece”.
Agostinho de Hipona (354-430)
Tradução: Maria Luiza Jardim Amarante.

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