3 de abril de 2016

Uma Bússola

Jaime Haney
A Esther Zemboráin de Torres
Todas as coisas são palavras do
Idioma em que Alguém ou Algo, noite e dia,
Escreve essa infinita algaravia
Que é a história do mundo. Em seu tropel

Passam Cartago e Roma, eu, tu, ele,
Minha vida que não entendo, esta agonia
De ser enigma, azar, criptografia
E toda a discórdia de Babel.

Por trás do nome há o que não se nomeia;
Hoje senti gravitar sua sombra
Nesta agulha azul, lúcida e leve,

Que até o confim de um mar estende seus esforços,
Com algo de relógio visto em um sonho
E algo de ave dormida que se move.

Jorge Luís Borges (1899-1986)
Tradução: Carlos Alberto Faraco

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