2 de abril de 2016

Tarefa

Franc Kavčič
Ergo o meu canto no areal do tempo,
Conforme com as leis da natureza.
Poeta da incerteza,
É um hino incerto
Que deixo no deserto
Onde apenas a morte tem firmeza.

Foi outro sonho que sonhei outrora,
Antes de conhecer o duro preço
Que pagamos por cada insensatez.
Sonhei que a Eternidade
Era verdade,
E que chegara nela a minha vez.

Mas, a despeito da desilusão,
Ponho argamassa, aprumo a inspiração
E assento os versos com rigor dobrado.
É não sei que sagrada confiança
Em não sei que sagrada segurança
Do trabalho acabado.

Miguel Torga (1907-1995)

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