27 de abril de 2016

Para Além

Jean Baptiste Regnault
É para além de tudo o que alcançamos
Que se advinha enfim esse horizonte,
Onde dormem os sonhos que beijamos
E a nossa sede tem a única fonte.

Há para além do céu ainda mais céu
Se houver ânsia no olhar que o refletir:
O céu mais vago e fundo é só um véu
Que a alma rasga para poder seguir...

É para além do amor que me adormece
Nesta loucura doce de te olhar
Que o coração pressente o que é amar.

Além da vida há vida, além é o norte:
E quando mortos, ainda a nossa prece
Levantará as mãos além da morte.

António Patrício (1878-1930)

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