10 de abril de 2016

Das Palavras

Gustave Doré
Somos palavras, quem nos pronuncia
E nos une em sentenças tão estranhas,
Quem anda a soletrar pelas montanhas
Os nomes aquecendo a tarde fria?

Quem nos profere com melancolia,
Quem gesta nossas letras nas entranhas,
E nos faz caminhar entre tamanhas
Contradições da noite à luz do dia?

Ah! sopro que nos sopra sem ter boca,
Letras, quem ousaria assim tecê-las
No labirinto da garganta rouca?

Quem ousaria pois falar contudo,
Se o sangue das vogais vem das estrelas,
E as palavras se perdem num céu mudo!

Paulo Bomfim

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