29 de março de 2016

O Belo se Transforma

Danielle Richard
Quem atravessa uma campina outonal, em toda parte,
Encontra as rendas da rainha Ana: – lírios
Sobre a água: magia e arte
Que ao caminhante fazem transformar
A relva seca em lago, como tua sombra mínima
Aplaina minha alma de azul luzerna.

O belo se transforma como a floresta
Que um camaleão altera a ela adaptando a pele;
Como o louva-a-deus que se assesta
Numa folha verde e nela se invagina
Tanto que mais enfolhece a folha e prova
Que o verdor é maior do que se imagina.

Tuas mãos seguram rosas como dizendo, eloquentes,
Que as rosas não são só tuas; o belo se transforma
Tão delicadamente
Procurando a partilha
Das coisas, da alma das coisas (para achá-las de novo)
Que, por momentos, aquilo que se toca, foge – de volta
à Maravilha. .

Richard Wilbur
Tradução: Jorge Wanderley

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