13 de março de 2016

Alegria da manhã branca

Edmund Blair Leighton
São
as nuvens
de amido.
Estou de versos inflado
como uma vela branca!
Eleva minha alma um sonoro
cálice de ritmos de prata,
na missa do sol e do verso
sob os cúmulos de amido.
Esta é a festa de um homem
que embriagou de emoção!
Quem te levou pelo rio
para beijar tua saia?
Quem te recitava os versos
e te confiava as cartas?
Quem te aperta o mindinho
e roubava os teus beijos?
Ah, as nuvens de amido
poetizam a manhã!
Ninguém te conta meus prazeres
de amigo de nuvem branca
e tua sombra me persegue
por esta longa alegria...
Siga o canto, siga o canto,
que o peito me vem em merengues
um coração de violões!
Os dias são de amido
e de amido as semanas.
Dias
semanas
dias
semanas
e sempre as alegrias
de amido pela manhãs.
Quem surpreendeu o carinho
de tua boca recitada?
Quem te ensinou os caminhos
e contou os passos?
Quem definhou em tuas pupilas
por culpa de tua mirada?
Ah, a manhã se assombra
de nuvens engomadas!
Febres de luz e de sombra
violentamente contrastam,
as mesmas que me desenham
e em teus olhos me retratam.
Festa? A de teus olhos.
Farras? As de tua face.
Felicidade e alegria.
Amido de nuvem branca.
Converte-me todo em beijos
para estampar-me em tua lama!

Pedro Mir (1913- 2000)
Tradução: Antonio Miranda

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