17 de fevereiro de 2016

Primeiro discurso: Sobre a utilidade do amor

Steven Pearson
Quando digo “amor”, deve-se compreender “desejo de beleza”. Com efeito, essa é a definição do amor para todos os filósofos. A beleza é uma graça que na maioria das vezes nasce antes de haver qualquer equilíbrio harmonioso entre vários elementos.
Existem três espécies de beleza. Há beleza quando várias virtudes se equilibram nas almas; nos corpos, ela nasce da harmonia de diferentes cores e múltiplas linhas; nos sons, do acorde de várias vozes juntas.
A beleza das almas é conhecida pela inteligência, a do corpo é percebida pelos olhos, e a das vozes, pelos ouvidos.
Como a inteligência, a visão e a audição são os únicos meios que nos permitem fruir a beleza, e como o amor é o desejo de fruir a beleza, ele sempre se satisfaz por meio da inteligência, da visão e da audição.
De que servem o olfato, o paladar e o tato? Esses sentidos só percebem sabores, odores, calor, frio, maciez, dureza e outras sensações dessa ordem. Nenhuma delas constitui beleza humana, pois são formas simples, ao passo que a beleza do corpo humano requer a simetria de membros diferentes. (...) Por consequência, o amor se limita a esses três poderes. Quanto ao desejo que se origina dos outros sentidos, a palavra que lhe convém não é “amor”, mas “libido”, ou “raiva”.
Platão (428-348 a.C.)
"O Banquete"

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