22 de fevereiro de 2016

Poética

Guilherme Maximini
Poesia, como sobrevives
Ao ódio das bombas?
E pulsas ainda, fria,
No refúgio das sombras?

Poesia, quem te reconhece
Perene fruto? Ácido
O sumo, impenetrável
A polpa de ferro ou aço.

Uma flor fétida
Nasce nos mangues
– Homem – perdido
Entre o pus e o sangue.

A poesia não sutura
Seu coração aberto.
Nem indica (entre cruzes)
O rumo certo.

Poesia, negra falua,
Arrasta sobre nós
Teus podres remos.
E deixa-nos sós.

Cláudio Murilo

Nenhum comentário: