26 de fevereiro de 2016

Esfinge

Jean Auguste Dominique Ingres
Revesti-me de mistério
Por ser frágil,
Pois bem sei que decifrar-me
É destruir-me.

No fundo, não me importa
O enigma que proponho.

Por ser mulher e pássaro
E leoa,
Tendo forjado em aço
As minhas garras,
É que se espantam
E se apavoram.

Não me exalto.
Sei que virá o dia das respostas
E profetizo-me clara e desarmada.

E por saber que a morte
É a última chave,

Adivinho-me nas vítimas que estraçalho.

Myriam Fraga (1937-2016)

Nenhum comentário: