7 de janeiro de 2016

Soneto 153

Friedrich Paul Thumann
Cupido adormeceu ao lado de sua flecha.
Uma das ninfas de Diana aproveitou o seu descuido,
E rapidamente mergulhou a sua flama amorosa
Numa fonte fria do vale que encontrou pelo caminho,
E logo tirou do sagrado fogo do Amor
Um calor vivo, eterno, permanente,
Criando um banho balsâmico, onde
Há cura para tantas estranhas doenças.
Mas aos olhos da amada acendeu-se a flecha do Amor,
Com que o menino ingênuo tocou o meu coração;
Eu, desvalido, quis me curar em suas águas,
E corri apressado, como um hóspede triste e destemperado,
Mas não me curei; o banho para minha cura está
Onde Cupido acendeu sua chama: nos olhos do meu amor.

William Shakespeare (1564-1616)
Tradução: Thereza Christina Rocque da Motta

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