19 de janeiro de 2016

Morro da Babilônia

Jerry Trueman
À noite, do morro
descem vozes que criam o terror
(terror urbano, cinquenta por cento de cinema, e o resto
que veio de Luanda ou se perdeu na língua Geral).
Quando houve revolução, os soldados
espalharam no morro,
o quartel pegou fogo, eles não voltaram.
Alguns, chumbados, morreram.
O morro ficou mais encantado.
Mas as vozes do morro
não são propriamente lúgubres.
Há mesmo um cavaquinho bem afinado
que domina os ruídos da pedra e da folhagem
e desce até nós, modesto e recreativo,
como uma gentileza do morro.

(Carlos Drummond de Andrade, Sentimento do mundo. São Paulo:
Companhia das Letras, 2012, p.19.)
No poema “Morro da Babilônia”, de Carlos Drummond de Andrade

a) a menção à cidade do Rio de Janeiro é feita de modo indireto, metonimicamente, pela referência ao Morro da Babilônia.

b) o sentimento do mundo é representado pela percepção particular sobre a cidade do Rio de Janeiro, aludida pela metáfora do Morro da Babilônia.

d) a referência ao Morro da Babilônia produz, no percurso figurativo do poema, um oxímoro
¹, a relação entre terror e gentileza no espaço urbano.

¹ oxímoro = obscura claridade, música silenciosa.

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