12 de janeiro de 2016

Fuvest 2016 – 2ª fase

É conhecida a raridade de diários íntimos na sociedade escravocrata do Brasil colonial e imperial, em comparação com a frequência com que surgem noutra sociedade do mesmo feitio, o velho Sul dos Estados Unidos. Gilberto Freire reparou na diferença, atribuindo-a ao catolicismo do brasileiro e ao protestantismo do americano: aquele podia recorrer ao confessionário, mas a este só restava o refúgio do papel. Esta é também a explicação que oferece Georges Gusdorf, na base de uma comparação mais ampla dos textos autobiográficos produzidos nos países da Reforma e da Contrareforma. Ao passo que no catolicismo o exame de consciência está tutelado na confissão pela autoridade sacerdotal, no protestantismo, ele não está submetido a interposta pessoa.
Evaldo Cabral de Mello - Diários e “livros de assentos”.
In: História da Vida Privada no Brasil. vol. "2".
  1. De acordo com o texto, em que grupo de países os diários íntimos surgiam com maior frequência e por que isso acontecia?
  2. A que expressões do texto se referem, os termos sublinhados no trecho "ele não está submetido a interposta pessoa" ?
Resolução:
  1. Os diários íntimos, segundo o texto, são comuns nos países em que ocorreu a Reforma Protestante, uma vez que os adeptos do protestantismo não contam, como os católicos, com a prática da confissão, intermediada por um sacerdote.

  2. A expressão "ele" refere-se a "exame de consciência"; "interterposta pessoa", a "autoridade sacerdotal".

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