5 de dezembro de 2015

Poema XVI

Gravura século XVIII – Catulo e Aurélio
Ó Aurélio brochista, ó Fúrio paneleiro,
a vós que, sendo meus leves versos voluptuosos,
por eles devasso me julgastes,
eu vos hei de enrabar e embrochar.
Ora se um autêntico poeta casto deve ser,
não é força que seus versos o sejam.
Estes afinal sabor e encanto hão de ter,
se forem galantes e nada cândidos,
e capazes de aguilhoar desejos,
não digo nos moços, mas nesses pilosos
que não podem já os engrunhidos rins mover.
Vós, lá porque lestes muitos milhares de beijos,
acaso me considerais falto de virilidade?
Pois hei de vos enrabar e embrochar.

Caio Valério Catulo (84 aC.-54 aC.)
Tradução: J. Lourenço de Carvalho

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