6 de dezembro de 2015

O Vinho dos Amantes

Édouard Manet
O espaço hoje esplende de vida!
Livres de esporas, freio ou brida*,
Cavalguemos no vinho: adiante
Se abre um céu puro e fulgurante.

Como dois anjos que tortura
Uma implacável calentura,
No límpido azul da paisagem
Sigamos a fugaz miragem!

Embalados no íntimo anelo
De um lúcido e febril afã,
Qual num delírio paralelo,

Lado a lado nadando, irmã,
Chegaremos, enfim, risonhos,
Ao paraíso de meus sonhos!

Charles Baudelaire (1821-1867)
Tradução: Ivan Junqueira
Nota:* brida: Parte do arreio de um cavalo, que compreende o freio e as rédeas.

Nenhum comentário: