30 de dezembro de 2015

Ó doce e espontânea Terra

Stan Wisniewski
Ó doce e espontânea Terra,
quantas vezes os afetuosos e
lascivos dedos dos filósofos
te beliscaram e apalparam,
o polegar travesso da ciência
instigou tua beleza.
Quantas vezes as religiões te
dispuseram entre os descarnados joelhos,
apertando-te e
açoitando-te para que
concebesses deuses.
(mas fiel ao leito
incomparável da morte, tua amante rítmica,
tu só lhes
respondes com
a primavera).

E.E.Cummings (1894-1962)

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