25 de dezembro de 2015

Natal entre Árvores

Albert Chevallier Tayler
Naquela tarde sem nuvens,
quis a Madona das Andorinhas
– com seus gestos de ar e vidro
e já um aroma de futuras violetas
em torno aos cabelos –

quis a Madona das Andorinhas
que plantássemos uma árvore
no chão de nossa casa:
e quando a semente caiu ao solo
os cabelos da Madona
faiscaram e cobriram-se de pétalas.

Hoje em nossa casa há três árvores;
três árvores ou sete mágoas?
sete mágoas ou quinhentas alegrias?

Crescem as árvores,
e com as árvores se esvai o nosso tempo,
e as árvores também são fuga
– e conversam com o ar, e contemplam as nuvens,
e procuram os ventos
– e já não são coisa nossa,
como no dia em que foram projeto,
inquietação, desejo de plantar.

Ao meu lado, porém,
continua a Madona, a Madona das Violetas,
a mão de que brotaram árvores,
o olhar que é um voo de andorinhas:
Madona, Madona,
há tempestades no horizonte:
como proteger as nossas árvores?

Que Deus ampare, Madona,
as árvores que, sendo efêmeros,
plantamos;
e que Deus nos cubra com Seu manto
– pois realmente somos um –
quando já não pudermos proteger, Madona,
entre violetas e andorinhas,
nossas árvores tão verdes.

Péricles E. S. Ramos (1919-1992)

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