10 de dezembro de 2015

Carta

Blanche Augustine Camus
Esqueço-te com a terna complacência do silêncio
habitual das horas no seu movimento
e no entanto restou um perfume quase imperceptível
do olhar por uma vez aceite
em mim, um olhar que julguei
fosse o meu amor, a ilusão
de um gesto que olhamos como
se nos pertencesse e no entanto
nos é alheio. Eu havia contribuído integralmente.
A terra foi por um instante pura
através do teu corpo elástico e pausado.

Manuel de Castro

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