12 de dezembro de 2015

Caminho do Amor

Elisabeth Modell
Qual o caminho do amor? Nas ruas hás de lamentar
a louca paixão da cortesã por ouro e luxo.
Se te acercares do leito da donzela, um casamento
legal te espera, ou a punição dos sedutores.
Quem suportaria, por dever, excitar os insípidos
ardores daquela a quem se uniu em matrimônio?
Pior é o leito adúltero que nada tem de amor,
tão pecaminoso quanto o gosto por meninos.
A viúva impudica, que bem conhece as artes todas
da lascívia, toma por amante qualquer um.
Com relutância é que a pudica se entrega, para logo,
picada pelo aguilhão de impiedoso remorso,
odiar seu ato; um resto de pudor fá-la afastar-se
até que um aviso ponha fim à ligação.
Se te juntares à tua própria serva, então resigna-te
a trocar de papel e ser escravo da escrava.
Se ela for de outrem, a lei te imporá o labéu que despista
ultraje cometido contra ser de outro dono.
Diógenes evitou tudo isso cantando himeneu
com sua própria mão, sem precisar de Laís.

Agathias Scholasticus (536-582a.C)
Tradução: José Paulo Paes

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