21 de novembro de 2015

Epipsychidion

Svetlana Solovyova
Anjo celeste, tu, excessivamente belo para seres humano,
ocultando sob uma forma luminosa de Mulher
tudo aquilo que é em ti insustentável
vindo do amor, da imortalidade e da luz!
Suave bênção para os que foram amaldiçoados!
Velado esplendor sobre esse universo sombrio!
Tu, lua além das nuvens! Tu, forma viva
entre os mortos! Tu, estrela sobre as tempestades!
Maravilha, e beleza, e terror! Tu,
harmonia de arte que anima a natureza! Tu, espelho
onde, como no esplendor do Sol,
todas as formas aparecem gloriosas ao teu olhar!
Sim, mesmo nas obscuras palavras que te escondem
agora, brilha um relâmpago desconhecido.
Peço-te: vem apagar deste triste poema
tudo o que nele é erro e só mortalidade.

Percy Bysshe Shelley (1792-1822)
Tradução: Fernando Guimarães

Nenhum comentário: