24 de novembro de 2015

(De)missão

Diego Rivera
Demitir-se da esperança
como uma carta sem endereço
impossível de entregar e
não dirigida a ninguém

Como um peso
Como aquele bloco de mármore
que sempre me fugia
até que eu percebi que não
fazia sentido o esforço
de o empurrar continuamente
para a minha boa consciência

Uma esperança incurável
por fim dolorosamente
insuportável
um corpo estranho enquistado
encrostado e endurecido
monstruosidade
que me não pertence e a que
não quero pertencer

A mais difícil missão é:
saber demitir-se
Aqueles que começam pela esperança
já aprenderam a sua lição.

Günter Kunert
Tradução: João Barrento e Y. K. C

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