2 de novembro de 2015

A Noite Dança

Margie Pye
Um sorriso caiu na relva.
Irrecuperável?

E como se perderam
Tuas danças noturnas? Em matemáticas?

Esses puros saltos e espirais –
Seguramente percorrem

O mundo para sempre, não ficarei em absoluto
Sentada e vazia de belezas, a dádiva

De teu pequeno suspiro, a grama drenada
Olor de teus sonhos, lírios e lírios.

Tua polpa não suporta nenhuma relação.
Frias dobras do ego, o copo-de-leite,

E a tigrídia engalanando-se –
Pintas e uma difusão de pétalas quentes.

Os cometas
Têm tanto espaço para atravessar,

Tanta frieza, olvido.
Assim que teus gestos se esfoliam –

Cálidos e humanos, então a tua luz rosa
Sangra e descama

Ao longo das negras amnésias do paraíso.
Por que sou eu agraciada

Com essas lâmpadas, esses planetas
Que caem como bênçãos, como copos

Hexagonais, brancos
Sobre os meus olhos, meus lábios, meu cabelo.

Sylvia Plath (1932-1963)
Tradução: J. A. Rodrigues

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