1 de outubro de 2015

Poema para Alan Kurdi

Foto de Alan Kurdi na Síria
Fossem absurdas,
as mortes, nesta vida…

todas
completamente
sem-sentido…

estaríamos
– como meninos –
diante do mar
do universo
ou de um deus fictício
a questionar:

por que existimos?
e, por que, então,
não mais existimos?

Poderíamos
gemer, chorar, gritar
e, enfim, aceitar
o terrível destino.

Mas,
não.

As mortes
nesta vida
estão encharcadas
– até a alma –
de sentido

não são
absurdas

nem
dizem
“está tudo perdido!”.

Isso,
dizemos nós
– surdos –
diante do mar
de meninos.

Jefferson Vasques

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