3 de outubro de 2015

Cem Anos de Orlando Silva

Orlando Silva, 1º ídolo de massa da MPB faria cem anos hoje.

João Gilberto o teve como primeiro ídolo. Roberto Carlos já se declarou seu fã, assim como Caetano Veloso e Paulinho da Viola.
Os discípulos vinham de antes: Nelson Gonçalves dizia que começou imitando Orlando. Lucio Alves e Roberto Silva seguiram a escola dele. Assim como Roberto Carlos foi o primeiro ídolo criado pela TV, Orlando foi o primeiro produzido pelo rádio.
Foi graças a Orlando que os intérpretes descobriram ser possível cantar bem sem precisar se esgoelar. Até ele, que explodiu quase junto com o advento do microfone elétrico, os ídolos – como Vicente Celestino e Chico Alves– dependiam mais dos pulmões que da garganta.
"Na voz dele, os versos não têm medida, não terminam nem começam, se intercalam. Você se pergunta: que horas ele respirou?", comenta o historiador e crítico José Ramos Tinhorão, para quem jamais houve outro cantor, no Brasil ou no mundo, como Orlando.
Outra verdade cristalina em torno de Orlando Silva é a de que tornou-se astro graças unicamente à sua voz.
"Vicente Celestino, Chico Alves, Silvio Caldas – eram todos galãs. Orlando era um homem feio, que enfeitiçou o público pela magia da sua voz", afirma o pesquisador Ricardo Cravo Albin.
A Trajetória de Orlando:
▸ 1915 - Nasce em 3 de outubro, no bairro de Engenho de Dentro, zona norte do Rio.
▸ 1932 - Desequilibra-se num bonde e tem parte do pé esmagada no trilho; para evitar gangrena, amputam-lhe quatro dedos – tem o primeiro contato com a morfina, aplicada para aliviar a dor.
▸ 1933 - Passa a trabalhar como cobrador de ônibus e a cantar durante o serviço, chamando a atenção de colegas e passageiros.
▸ 1934 - Levado por Francisco Alves, estreia na Rádio Cajuti, interpretando a valsa "Mimi" (Uriel Lourival) .
▸ 1937 - Lança "Lábios que Beijei" (J. Cascata e Leonel Azevedo), "Carinhoso" (Pixinguinha e João de Barro) e "Rosa" (Pixinguinha e Otávio de Souza), seus primeiros sucessos.
▸ 1938 - Aclamado durante temporada em São Paulo, ganha o apelido de "Cantor das Multidões", dado pelo locutor Oduvaldo Cozzi.
▸ 1939 - Lança "A Primeira Vez" (Bide e Marçal) e "Sertaneja" (Renê Bittencourt) .
▸ 1940 - Começa a se relacionar com a atriz e cantora Zezé Fonseca, uma paixão turbulenta que duraria cerca de três anos.
▸ 1943 - Passa a ter problemas com drogas (morfina, segundo Ruy Castro; cocaína, conforme o biógrafo Jonas Vieira) e álcool, que afetariam sua voz até o fim da vida.
▸ 1947 - Conhece Maria de Lourdes, que seria sua mulher até o fim da vida.
▸ 1974 - Já no ostracismo, grava o seu último disco, "Orlando Silva Hoje".
▸ 1978 - Morre aos 62 anos, em 7 de agosto, no Rio, de complicações decorrentes de um AVC sofrido dias antes. Não deixa filhos.

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