31 de outubro de 2015

Mundos Extintos

“São tão remotas as estrelas que, apesar da
vertiginosa velocidade da luz, elas se apagam,
e continuam a brilhar durante séculos”.
John William Waterhouse
Morrem os mundos... Silenciosa e escura,
Eterna noite cinge-os. Mudas, frias,
Nas luminosas solidões da altura
Erguem-se, assim, necrópoles sombrias...

Mas, para nós, di-lo a ciência, além perdura
A vida, e expande as rútilas magias...
Pelos séculos em fora a luz fulgura

Traçando-lhes as órbitas vazias.
Meus ideais! extinta claridade –
Mortos, rompeis, fantásticos e insanos
Da minh’alma a revolta imensidade...

E sois ainda todos os enganos
E toda a luz, e toda a mocidade
Desta velhice trágica aos vinte anos...(*)

Euclides da Cunha (1866-1909)
Nota:
(*) O poema é datado de 1886 e o poeta nasceu em 1866,
momento em que, portanto, tem vinte anos.

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