19 de outubro de 2015

Gelo, Éden

Malika Favre
Num País Perdido andou
a lua pelo juncal,
e o que conosco gelou
vê e arde como um sol.

Vê, tem olhos como os mais,
dois mundos claros de esperança.
Noite, noite, pantanais,
vê, tem olhos, a criança.

Vê, vê, nós estamos a vê-lo,
vejo-te a ti, tu a mim.
Ressuscitará o gelo
antes da hora do fim.

Paul Celan (1920-1970)
Tradução: João Barrento

Nenhum comentário: