18 de outubro de 2015

Fantasma

Kathy Ostman-Magnusen
Ele se ergue de seus hóspedes, abruptamente parte,
Por causa da memória de outros que, longas luas atrás,
Haviam com ele ceado, e se aflige
Porque essas novas pessoas, ele deve saber,
Podem não ter amado seus fantasmas, seu morto desconhecido.
Há novos sorrisos, novas respostas para seus gracejos;
Mas há intervalos nos quais, ao enunciar
O mesmo que sua mesa de jantar afirma, ele ouve lábios defuntos...
Os mortos têm meios de se fundir aos usos
Da vida que deixam para trás, os mortos até podem
Levantar-se quando o jantar está pronto. Mas um deles se nega
A ir embora e o fita com olhos inertes
Penetrando-o mais agudamente do que uma chuva é capaz de o fazer,
Deixando-lhe somente o movimento, apenas a fala.

Witter Bynner (1881-1968)

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