9 de outubro de 2015

Dona Chica

Pintura de Márcio Ávila
A negra serviu o café.
- A sua escrava tem uns dentes bonitos, Dona Chica.
- Ah, o senhor acha ?

Ao sair
a negra demorou-se com um sorriso na porta da varanda.

Foi entoando uma cantiga casa a dentro:

Ai do céu caiu um galho
Bateu no chão. Desfolhou.


Dona Chica não disse nada.
Acendeu ódios no olhar.

Foi lá dentro. Pegou a negra.
Mandou metê-la no tronco.
- Iaiá Chica, não me mate!
- Ah! Desta vez tu me pagas.

Meteu um trapo na boca.
Depois quebrou os dentes dela com um martelo.

- Agora
junte esses cacos numa salva de prata
e leve assim mesmo,
babando sangue,
pr'aquele moço que esta na sala, peste!

Raul Bopp (1898-1984)

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