18 de outubro de 2015

Coração Inconstante

“... Embora o ser amado esteja ausente,
suas imagens ainda estão à mão e
o seu doce nome ressoa nos nossos ouvidos”.

Tito Lucrécio Caro (99 a.C. - 55 a.C.)
Sir Edward Burne-Jones
Coração inconstante, a quem a charneca edifica a cidade
no meio das velas e das horas,
tu sobes
com os choupos até aos lagos:
aí talha a flauta, de noite,
o amigo do seu silêncio
e mostra-o às águas.
Na margem
vagueia embuçado o pensamento e escuta:
pois nada
surge com a sua própria forma,
e a palavra, que brilha sobre ti,
crê no escaravelho dentro do feto.

Paul Celan (1920-1970)
Tradução: João Barrento e Y. K. C

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