2 de outubro de 2015

As Palavras

Sir John Everett Millais
Essas palavras são poemas,
Poemas que se repetem
Sobre si mesmas

Palavras e números;
Números de letras,
Número de sílabas.

Essas palavras são poemas
Em que a vida se repete
Sobre si mesma.

Palavras que descansam, gentilmente,
Mil ideias de viagens
– Folhas e para cima, arco-íris,
Principalmente,
Caminhos sobre todos os muros.

Palavras coloridas
Como esse pássaro
Que canta agora,
– Escama de todos os mares,
Cantando em luz
A música das Sereias nadando,
– Pedaço de todos os crepúsculos.
Palavras que ficam, assim, tão perto
– Escama de todos os mares,
De todas as ideias que ainda nadam.

Palavras Suplicadas a esmo?

Palavras... Palavras... Palavras...
Abertas e despetaladas em esquinas,
Mãos pousadas,
Após o gesto

Palavras que Servirão amanhã,
Equilibrando,
Que nem mastro,
A flâmula da imagem
Palavras pousadas,
Que-nem praia
Sobre as ondas das ideias.

Palavras-pálpebras abertas
Em portas,
Pontes no silêncio de quem espera algo e
No destino do que tem de atravessar
Acontece logo.

... também.
Palavras coloridas
Sorrindo como conchas flutuando,
Eclodidas em desejos.

Palavras aos pares
– Mudos olhos –
Janelas-cais de espelhos
Prendendo pés prontos
Para uma dança que nunca se realizará.
Palavras-grades de ferro de sacadas.

Boca de poços salgada, de sombras
Taças em filas de estradas de vidro,
Raízes arrancadas e flutuando em lagos

Palavras-túnicas vestindo pedras
Teias disfarçando degraus
Peixes – gravado, em folhas verde mar.

Palavras-curvas de montanhas,
(A MORTE está tão perto de nós
Que as coisas vistas de longe
Têm um ar infantil)
Tatuagens pautando cicatrizes,
Línguas inaugurando figuras geométricas,
Pontes de espumas.

– o –
Madrugadas pintadas em máscaras.

– o –
Esfinges de sombras,
E transformadas em pianos,
Chuva e chafariz,
Sombras de distâncias sobre desertos

Fotografia de torres,
De anjos, de sapatos, de parentes
Crucificando outras direções.

Cabelos da amada cantando
Dentro das flautas abandonados.

Fechaduras prendendo mapas sob o vento
Ponteiros feitos de rugas,
Riscos de vinho completando corações,
Violinos descansando,
Separados por dedos arrancados.

Jarras partidas por âncoras,
Velhice das coisas que estão voando,
Caveiras irisadas de sinos silenciosos.

Como o espelho da lança
Refletindo a vítima antes de atingi-la.

Wlademir Dias-Pino

Nenhum comentário: