10 de outubro de 2015

A Alma das Coisas

Louise Amelie Landre
As coisas têm alma. Seu nome: palavra.
As coisas têm vida, princípio e fim.
Se morre um objeto, seu nome adormece
até que um poeta o invoque numa prece.

Palavras penadas aparecem de repente.
Mudam o sentido das frases, o tom da prosa.
Incorporam coisas, assustam a gente.
Um silêncio manso vira rima perigosa.

Palavras abandonam seus corpos
Em viagens astrais por outros mundos,
transmudam-se em silêncio etéreo.

Poetas têm olhos para o mistério
e ainda que permaneçam mudos
fazem da palavra o seu sortilégio.

Alexandre Marino

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