13 de setembro de 2015

Sou Monólogo

Sir John Everett Millais
Sou toda monólogo,
toda estrépito mágico ao querer pensar-te, adivinhar-te
antecipar-me ao tempo de teu tempo.

Rimo-te nesse campo que ante mim se distende,
contemplas a mimosa de perfume amarelo
que a árvore doa ao ar
até há pouco inodoro.
Meu monólogo cresce, cresce minha fantasia,
cresces tu protegida por tua bolsa amniótica.

Olhos de quartzo índigo...
O cabelo de tua mãe: seda tecida a fogo.
O cão que fareja um prodígio imediato.
A luz que faz o vale cantar seus próprios verdes.

Prolongo minhas raízes na terra d’água
para crescer meus braços, tão exangues,
braços que foram berço de teu berço.

Celina de Sampedro

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