29 de setembro de 2015

Resumo

Vincent van Gogh
Vivemos de não ser... De ser morremos.
Somos projeto em tudo enquanto somos.
Projeto de esperança no desejo;
e, quando possuímos o esperado,
projeto de evasão, sede de abandono.
No jovem trigal, o verde é sempre
ansiedade da espiga. Acaba em ouro.
Mas onde começa tudo quando acaba?

Vivemos de inventar o que não somos.

Em contrapartida, este magnífico absoluto
do que já não sofre desgaste,
do que já não podem
modificar nem o tempo nem o olvido,
esta sólida porção
de vida inalterável que é a morte
como nos subscreve e nos define
e nos revela e nos expõe em tudo!

Vivemos somente de crer no que fomos.
Sempre seremos póstumos.

Jaime Torres Bodet (1902-1974)

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