25 de setembro de 2015

Posto de Gasolina

Jim Pearson: Texaco
Ah, mas como ele é sujo!
– esse posto de gasolina,
impregnado de óleo,
até ficar de um negrume
transluzente, assustador.
Cuidado com esse fósforo!

O pai usa um macacão
sujo, impregnado de óleo,
que o aperta nas axilas,
e o ajudam vários filhos
respondões, rápidos, sujos
(o posto é de uma família),
de graxa, todos imundos.

Será que moram no posto?
Atrás das bombas se vê
uma varanda de cimento,
com mobília de palhinha
amassada e suja de graxa;
no sofá, um cachorro
bem sujo se refestela.

Há revistas em quadrinhos –
o único toque de cor
bem definida – largadas
sobre o caminho de mesa
que enfeita um banquinho (o qual
combina com os outros móveis),
e uma begônia hirsuta.

Por que essa planta deslocada?
Por que o banquinho? Por quê,
por que o caminho de mesa?
(Bordado em ponto de cruz
com margaridas, creio eu,
e um pesado crochê cinzento.)

Alguém bordou esse pano.
Alguém põe água na planta,
ou óleo, sei lá. Alguém
dispõe as latas de modo
a fazê-las sussurrar:
ESSO-SO-SO-SO
pros automóveis nervosos.
Alguém nos ama, a nós todos.
Elizabeth Bishop (1911-1979)
Tradução: Paulo Henriques Britto

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