26 de agosto de 2015

Porlamar

Albert Bierstadt
Baixo às profundas
abissais da palavra:
colho-a como um ovo
entre as algas, como
uma pera na geladeira,
como um peixe roubado
à voracidade de outro,
como um pato abatido
no pântano, como areia
fina, na barra, a fugir
entre meus dedos.
Como-a
com uma pitada de sal.
Se de veias, sangro-a;
pétrea, sob o cinzel,
dirá o que direi, nua,
gelada e engalanada,
confiante e confidente.

Busco-a a madrugar,
mastim, de tocaia,
como se colhesse amoras
temendo as silvas.

Fernando Ferreira de Loanda (1924-2002)

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